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Memória: Documento Vivo
Ao
chegarmos ao fim deste milênio, a importância da Memória é
devastadora.
Memória é tudo. Não somos nada
sem Memória. Somos Memória afetiva, Memória genética. A Memória é tão
importante, que através dos tempos, os povos que se desenvolveram, sempre
investiram pesado para preservá-la. Não só como lembrança, mas
principalmente como o lugar onde se armazenam todas as informações.
Armazenar informações é o fator que faz a diferença fundamental, entre
uma nação que progride e outra que não. É o fator que faz a diferença entre
a vida e a morte de um ser vivo:
Quando as células de defesa não
“reconhecem” um vírus, porque elas não têm informações sobre ele,
armazenados em sua Memória, nada detém o avanço da doença. Se as células não
tem Memória, estamos condenados a morrer. E isso acontece também com os
povos. A Memória com as informações que ela possui, é o que faz com que um
povo se desenvolva. Por isso, as nações ricas investem tanto no computador;
ele nada mais é que uma Memória Artificial, com grande capacidade de
armazenar informações necessárias que são utilizadas na criação de
tecnologia e como se sabe, Tecnologia é Progresso Econômico, de tal
maneira, que leva uma nação a ter domínio sobre outras, que perderam sua
Memória e não investiram nela.
Memória é
Informação; Informação é Tecnologia; e Tecnologia é Desenvolvimento.
Seja ela um Livro Secular ou um
Monumento Milenar. Eles têm a consciência dos que sabem; que não estão
comprando um livro velho ou um monte de ruínas, mas valiosas informações
contidas nessas Memórias. Informações que fizeram desses povos o que
eles são hoje.
Esse é o motivo mais forte que levam esses povos a gastarem milhões na
recuperação de uma estátua do fundo do mar, que em última análise nada mais
é que um pedaço de pedra inerte. Mas se é assim, porque tanto empenho?
Por que eles sabem que quando a
humanidade não se importar mais com a sua Memória, ela fatalmente tende a
desaparecer. Pois sem Memória não existimos. Tudo que somos é Memória.
Romi
Schenatto
(conselheiro e colaborador na criação do Instituto Boimamão e do jornal O
Açor/1998/1999) |