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  “ Os Engenhos de Farinha não morrem”

  

Não para o jovem município de Bombinhas, onde usos e costumes continuam preservados. Sorte dos descendentes de açorianos, que ainda revivem a sua história na lida dos Engenhos .Herança do povo indígena no cultivo da mandioca e no preparo da farinha, continuada através da criatividade e engenhosidade dos colonizadores que chegaram no Século XVIII  e construíram os Engenhos de Farinha  e de Cana-de-Açúcar , marca da auto-sustentação  por décadas.

Resultado da iniciativa do “Instituto Boimamão- Preservação e Fomento da Cultura” - uma organização não governamental sem fins lucrativos, fundada em 1998 , com a missão de preservar e fomentar o patrimônio histórico e cultural, tendo como primeira ação, o mapeamento dos engenhos sobreviventes, para a elaboração do Projeto:  “Preservação dos Engenhos de Farinha  e Criação do Museu Histórico  na comunidade de Bombinhas” -  aprovado pelo Ministério da Cultura com aval do  IPHAN- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,  em 1999.

Visão de uma moradora idealista, classificada como “os de fora”,  que adquiriu um antigo Engenho de Farinha em 1997,  localizado no bairro José Amândio e revitalizou-o  na região do Sertãozinho. Apenas o inicio; de um importante processo de conservação da memória cultural e de salvaguarda de um  patrimônio com riscos de extinção, que comemora em 2008,  10 anos de “ Idéias transformadas em Ações”.

 

UMA NÉVOA BRANCA ANUNCIA QUE ESTÃO FARINHANDO” – textos divulgado pela presidente da organização  (no jornal O Açor” em 1999)

......o saudoso ritual desse processo artesanal que ainda envolve a família, amigos e vizinhos, como raspar a mandioca, tarefa confiada ‘as mulheres, que executavam com cantorias : “o  tempo de farinhada, é um tempo bem divertido, é quando as  moças solteiras, tentam arranjar marido; moça que peneira a massa, separe bem a caroeira; trata de logo de casar; que é triste ficar solteira!

 ..... e por formarem um grupo único dentro da cultura Portuguesa e esses Engenhos serem vestígios históricos com todas as implicações que isso traz, me levou ao projeto de preservação. Que além das implicações históricos culturais, o resgate servirá como mais um atrativo turístico, ajudando no fomento e incrementação da economia local...... sempre fomos considerados como compradores de tecnologia, nunca fomos tidos como criadores capazes de produzirmos máquinas industriais.......mas vendo esses Engenhos, pude constatar como nos falta em nossos registros a menção a essa capacidade tecnológica entre outras tantas. Um Engenho de Farinha ou cana-de-açúcar é antes tudo uma industria com maquinaria pesada e altamente especializada para a época........sempre fomos associados à agricultura, pecuária, ou pesca.......nunca como industriais progressistas detentores de algum “know how” tecnológico ......o que a existência desses Engenhos vem mostrar o contrário.... (  matéria  publicada em 1999)

 

Felizmente,  dez anos se passaram e ainda podemos assistir este ritual em Bombinhas. Sendo hoje, o município que possui o maior numero de casas  de Engenhos preservadas no Estado de Santa Catarina. Algumas em  pleno funcionamento artesanal,  produzindo para o próprio gasto e mantendo a tradição. Dois deles semi-industriais; gerando emprego e renda com a venda da farinha no comercio local, oficio seguido  pelos descendentes.

Graças a um trabalho de conscientização junto à comunidade, é que a idéia lá de cima deu resultado - comemora  a Sra. Rosane Luchtenberg , fundadora da organização. “Foi quase um sacerdócio” -  por isso; dos nove Engenhos que registrei na época para anexar ao projeto , dois  deles  conseguimos revitalizar na localidade do Sertãozinho e funcionam como Museu Comunitário. O que se constata agora, em 2007, é que dos 14 Engenhos que  estão sendo conservados no município,  8 deles são  mantidos pelas próprias famílias; alguns em  plena atividade, registradas neste mês de julho. Realmente grande motivo para comemorar !

(publicação O Atlântico/julho/07)

 

Mais informações sobre esta atividade em Bombinhas: contato@institutoboimamao.org.br www.institutoboimamao.org.br